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Falar para fora da BellyBolha

Nem só de strass e palmas vive o profissional da dança, então prepare-se que a gente veio aqui para puxar a sua orelha hoje.

Diariamente, lidamos com dançarinas e professoras de toda parte do país e a reclamação é sempre a mesma: público pequeno, poucas alunas e dinheiro curto. Nós sabemos que isso, na maioria dos casos, é verdade.

Mas você já se perguntou por que o mercado de DANÇA (aqui falamos especificamente com o público da Dança do Ventre), apesar de imenso e fértil, não é tão próspero quanto se espera?

 

Um dos motivos é o que nós, do Endance, apelidamos carinhosamente de BellyBolha. Uma das muitas peculiaridades do nosso mercado de Dança do Ventre é a autosustentação. Se você frequenta os eventos do setor já deve ter reparado que são sempre as mesmas carinhas que aparecem – ora nos palcos, ora no público. E é isso mesmo que acontece: a mesma pessoa que consome produtos, aulas e eventos, também trabalha fazendo shows, dando aulas e workshops. É um círculo de produção e consumo muito pequeno, com poucos cruzamentos com o “mundo lá fora”, uma verdadeira bolha.

Com todo mundo trabalhando e consumindo no mesmo mercado, é natural que o público esteja cada vez mais escasso. Mas então, como estourar essa bolha e conquistar um novo público para Dança do Ventre?

Uma das respostas passa pelo uso de códigos universais em todo o contato com o público, desde a escolha dos temas dos espetáculos, até o tempo de duração de cada número. Como nossa praia é a marketing, aqui vai: praticamente toda a comunicação do mercado de Dança do Ventre é auto-referenciada. Isso significa que, como nós mesmas consumimos e produzimos dentro deste mercado, acreditamos que a melhor linguagem para comunicar é o código que envolve pirâmides, camelos, brilhos e divas.

De fato, o público já cativo da Dança do Ventre se identifica com esses sinais. No entanto, quem está fora da bolha, hoje em dia, se sente pouco ou nada atraído por essas referências antigas e repetitivas. Na verdade, consideram toda essa linguagem uma grande cafonice, basta ver a comunicação visual de restaurantes árabes moderninhos, frequentado por jovens cosmopolitas. Um bom design, limpo, com bom senso e bom gosto, obedecendo estruturas estéticas e qualidade gráfica é compreendido por qualquer tipo de público, especialmente quem está do lado de fora do mercado.

Explicamos tudo na teoria, mas a real objetiva, nua e crua é a seguinte: pare com a tosquice, por favor. Como você quer ser levada a sério pelo grande público, se a sua comunicação só fala para quem está dentro da bolha? Como você quer ver seus shows cheios, se suas divulgações não enchem os olhos de quem ainda não conhece a Dança do Ventre? Como você quer que seus clientes confiem em você, se você se divulga com textos cheios de erros de português e vídeos de qualidade sofrível, cheio de achismos e vazios em conteúdo? Como você quer que respeitem o seu trabalho se você mesma não respeita?

 

LINGUAGEM NÃO É TUDO

Pois bem, até agora falamos de adequação de linguagem, que é o mínimo essencial para qualquer profissional engajado em levar seu trabalho além das fronteiras da BellyBolha.

Quem estiver disposto a dar um passo além, precisa conhecer o canal pelo qual está enviando as suas mensagens. O algoritmo do Facebook entrega suas divulgações apenas para aqueles que já estão habituados a curtir suas postagens – ou seja, do lado de dentro da bolha.

Para alcançar mais pessoas lá fora, você precisa investir em campanhas pagas. Não é difícil e você mesma pode fazer isso – o Facebook tem uma infinidade de tutoriais e manuais a disposição. Quer novas alunas iniciantes? Talvez entregar sua campanha para quem more perto da escola seja a melhor estratégia. Quer divulgar seu espetáculo? Pensem em divulgá-lo para quem já curte a página do teatro.

Anúncios do Google podem trazer pessoas para o seu site. Mas ele está atualizado, com a grade de aulas e valores? Você indica no site o que espera do visitante, como “venha fazer uma aula gratuita”? Não adianta colocar todo seu dinheiro de marketing no Google se o seu site é ruim, pouco informativo e nada chamativo.

Em resumo, você precisa estar com sua mensagem, seu público e canais bem alinhados e coerentes para ter uma estratégia de comunicação de sucesso e, assim, encontrar o seu público dentro e fora da bolha. Vamos nessa?

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