Destaque, marketing

Por que o seu trabalho PRECISA ser comercial

Trabalho comercial é trabalho que vende, que tem público (e fãs).

Você possivelmente já torceu o nariz só de ler esse título, eu sei. Respira e vamos juntos – você vai entender porque eu estou afirmando isso e talvez vá até concordar comigo.

Em geral, quando se questiona como certos artistas alcançaram a fama e o sucesso, a resposta é rápida e clara. “Fulano se vendeu”, dizem uns. “Era muito melhor antes de ser pop”, dizem outros. Em algum momento da história da arte, alguém proclamou que ser um artista comercial não era bom – em geral, é sinônimo de vulgar, ordinário, comum ou qualquer coisa que o valha.

Bobagem. Ser comercial significa ser capaz de vender o próprio trabalho – e, com isso, ganhar dinheiro com ele, pagar suas contas e prosperar a partir do seu talento e sua verdadeira paixão. Afinal, a arte é um trabalho e a remuneração não pode ser feita só de aplausos.

O fato é que se você pretende viver da sua arte, é fundamental que você seja comercial, ou seja, que seu trabalho seja consumido por um grupo. Não adianta reclamar que o “mercado” não compreende sua arte ou que o público não é maduro o suficiente para apreciar o seu talento. Se você está dançando e ninguém está vendo, você está fazendo alguma coisa errada.

Agora, eu tenho uma boa e uma má notícia para você. A má notícia é que impossível fugir das regras do mercado – se não há demanda, não há necessidade de se disponibilizar oferta. Se a sua arte não é consumida por ninguém, você está apenas curtindo o seu prazer em dançar.

A boa notícia é que para ser comercial você não precisa vender sua arte, sua alma e seus princípios – bastará você encontrar e conhecer bem aqueles que estão interessados em consumir o que você produz. Não precisa ser uma bailarina aclamada pelas massas – basta que você e seu público estejam na mesma sintonia.

Quanta atenção você dá ao seu público? Estou falando de prestar atenção no que seu público consome – de quais outros bailarinos seus alunos gostam, quais são eventos imperdíveis e quais workshops não deixam de ir. Trace um perfil, pergunte-se o que encanta e o que repele o público que aprecia seu trabalho.

Pense em tudo que você pode entregar para esse público, considerando todas essas preferências – o melhor formato de aula, as melhores músicas, o melhor curso ou um show inesquecível. Pense em tudo que puder e tome nota de cada uma das suas ideias.

Você vai ver que a maior parte das oportunidades que você identificou tem muito a ver com o seu trabalho, com a sua identidade e com a sua alma de artista. O público que aprecia seu trabalho – e paga por ele -, gosta do que vê porque se identifica com o que você faz. E por que não oferecer um pouco mais de si a quem te assiste e acompanha sua trajetória?

Se para você a arte é uma profissão, lembre-se que profissionalismo, romantismo e egocentrismo são três palavras que não cabem no mesmo contexto. O tamanho do seu resultado é diretamente proporcional ao empenho com o qual você faz o seu trabalho.

Vamos nessa?


2 Comments

  1. Ludmila Fornes

    3 de março de 2017 at 11:44

    Texto muito bom e importante! Se a arte é trabalho também precisamos pensar em como vende-la e não existe nada de errado nisso.

    Obrigada pelas reflexões. Adoro o site.
    Beijos*

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